Aluno da Universidade de Aveiro transforma energia das comunicações em energia eléctrica

16-11-2011 12:30

 

Investigação premiada pelo centro Fraunhofer Portugal

 

Por Susana Lage (Ciência Hoje)

 

Ricardo Fernandes foi recentemente premiado pelo centro Fraunhofer Portugal devido ao desenvolvimento de um dispositivo de comunicação que captura e armazena energia necessária à comunicação e gravação de dados. 
O protótipo apresentado no Fraunhofer Challenge 2011 pelo aluno da Universidade de Aveiro é um dispositivo “relativamente pequeno, reconfigurável e capaz de receber e transmitir informação sem fios”, afirma Ricardo Fernandes ao Ciência Hoje. Em vez de uma bateria, “o protótipo inclui um sistema que lhe permite absorver a energia radiada por um emissor RF”.

 

Este conceito de captar energia do meio ambiente só por si “já é muito interessante”, mas o trabalho serviu para demonstrar que, “de facto, pode ser implementado na prática, com bons resultados”, garante o investigador.

A tecnologia desenvolvida no pólo de Aveiro do Instituto de Telecomunicações “pode potencialmente ser utilizada no projecto de uma nova geração de equipamentos Via Verde sem bateria e com um tempo de vida bastante mais longo que o actual”, explica Ricardo Fernandes.

Outra ideia interessante de aplicação que o investigador propõe passa por “colocar electrónica sem bateria dentro de objectos (como uma mesa ou uma cadeira) durante o processo de fabrico, o que faria com que cada objecto pudesse ter a sua própria identificação electrónica e fazer parte de uma rede local (sem fios) de objectos. Considerando essa rede local e outras semelhantes ligadas à internet, o resultado seria uma rede de objectos à escala global”.

Reconhecimento internacional
Ricardo Fernandes ficou “satisfeito” com o resultado da sua dissertação de mestrado que lhe valeu o prémio do centro Fraunhofer Portugal. Ser reconhecido internacionalmente através desta associação privada sem fins lucrativos é algo “extremamente gratificante” para o aluno da Universidade de Aveiro que contou com o apoio do orientador Nuno Borges Carvalho e co-orientador João Nuno Matos na realização da investigação.
Onde está a importância desta tecnologia nos dias que correm? "Em cenários de desastre, por exemplo, onde os equipamentos de emergência têm de funcionar, quer tenham sido utilizados pela última vez há uns meses ou há vários anos”, afirma Ricardo Fernandes. E explica: “Num caso em que a bateria dure pouco tempo, o processo de recarga torna-se demasiado frequente, ainda que previsível. Num caso em que a bateria dure bastante tempo, o processo de recarga é menos frequente, mas torna-se difícil estimar o momento em que a carga vai chegar ao fim. Há que ter em conta também que uma bateria perde energia continuamente, esteja a ser utilizada ou não”.

Ainda não se sabe quando o novo dispositivo poderá ser posto em prática. “Espero ter um sistema bastante mais avançado que o que desenvolvi na minha dissertação daqui a quatro anos, quando terminar o doutoramento”, prevê Ricardo Fernandes.

Nos próximos passos da investigação, o aluno pretende “abordar a questão da existência de vários sistemas de recolha de energia diferentes no mesmo dispositivo” e da “localização de objectos em espaços interiores feita de forma totalmente passiva”, adianta.

 

 

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