Bactérias mineiras

14-09-2010 12:29

Actualmente são utilizados microorganismos na mineração, nomeadamente na recuperação de metais como ouro, cobre ou urânio. Recentemente investigadores sugeriram que poderiam ser utilizadas bactérias em processos de bio-mineração no espaço, para a extracção de oxigénio, nutrientes e minerais de corpos extraterrestres como a Lua ou Marte, com possível uso por parte de futuros colonizadores espaciais.

 

 Mais de um quarto do fornecimento mundial de cobre é actualmente obtido a partir de minérios com o auxílio de microorganismos. Com base nesta constatação, os geomicrobiólogos Karen Olsson-Francis e Charles Cockell da Universidade Aberta de Milton Keynes (Reino Unido) admitiram a hipótese de que estes micróbios poderiam ser escolhidos para a exploração espacial. "É apenas uma questão de transferir essa tecnologia para outras superfícies planetárias", afirmou Cockell, concluindo: "Seria uma forma de viver da terra no espaço".

Os investigadores pesquisaram o comportamento de diversas variedades de Cianobactérias em superfícies com as características de Marte e da Lua (rochas superficiais pouco duras). Estas bactérias fotossitéticas adaptaram-se a viver nos ambientes mais inóspitos do planeta Terra, como o deserto árido e extremamente quente de Atacama no Chile ou a superfície gelada do vale de McMurdo na Antártida, sugerindo que poderiam sobreviver às inóspitas coindições do espaço exterior. Descobriram ainda que as cianobactérias eram capazes de sobreviver em condições de pressão e temperatura semelhantes às de Marte durante 28 dias, desde que cobertas por um revestimento de protecção contra os raios ultravioletas. "Apesar de estes microorganismos terem como objectivo a sua utilização em ambientes controlados e pressurizados, é de grande interesse verificar a capacidade de sobrevivência destes organismos no caso da ocorrência de alguma avaria que as exponha às condições pouco convidativas à vida, principalmente se os colonizadores dependerem de forma vital do seu desempenho", afirmou Cockell.

 

Artigo completo na Scientific American online.

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