Efeitos da radiação no ser humano

25-03-2011 12:10

 Mais do que tremores de terra, neste momento, a grande preocupação no Japão passa pelos nocivos níveis de radioactividade libertados pela central nuclear Fukushima-1. O Governo nipónico já solicitou aos residentes da zona afectada que se submetam a exames de despistagem. Na Europa, embora a preocupação exista, os especialistas negam situação catastrófica.

Especialistas franceses afirmam que uma nuvem radioactiva causada pelas explosões deverá chegar à Europa na próxima semana, mas estimam, no entanto, que ela não será nociva à saúde. O governo francês pediu na quarta-feira ao órgão responsável por urgências de saúde no país para fazer um levantamento do estoque de pastilhas de iodo na França, substância que impede que a radioactividade tenha efeitos sobre a tiróide.

 

Embora não conduza a uma catástrofe nuclear, a situação é grave, assegurou hoje Iaroslavl Chtrombakh, vice-diretor do Instituto Kurtchatov, o principal centro de investigação nuclear da Rússia. Para o cientista russo, no pior dos casos, fundir-se-ão os cinco reactores da central nuclear. “Pelos vistos, é isso que nos espera. Mas, mesmo assim, a situação não será catastrófica”, explicou Chtrombakh.

É no Instituto Kurtchatov, em Moscovo, que são projectados os reactores que funcionam nas centrais nucleares russas. Uma catástrofe, segundo os cientistas russos, seria uma situação semelhante à ocorrida na Central Nuclear de Tchernobyl, na Ucrânia, em 1986, quando a explosão num dos reactores provocou fugas de materiais radioactivos que atingiram vários países vizinhos.

A companhia aérea russa Aeroflot anunciou que os níveis de radioactividade dos seus aviões que regressaram de Tóquio a Moscovo são muito semelhantes à média registada na capital russa.

Níveis radioactivos e saúde humana
Uma exposição a dez mil MiliSieverts – o equivalente a 100 mil radiografias ao peito – provocaria a morte a uma pessoa em menos de um mês. Qual é o nível de radiação que consegue suportar o corpo humano? A central de Fukushima emitiu ontem 400 MiliSieverts por hora, um nível tóxico, mas sem efeitos adversos imediatos na saúde. Contudo, equivale a mil mamografias (cada uma é de 0,4 MiliSieverts).

Níveis de radiação e efeitos:

Dez mil MiliSieverts: 100 por cento das pessoas que recebem este nível morrem, com destruição da parede intestinal e hemorragias internas;
Seis mil MiliSieverts: Dose a que foram sujeitos os operários de Chernobil e que cederam ao fim de um mês;
Cinco mil MiliSieverts: Uma dose poderia matar 50 por cento dos que estiverem expostos;
Mil MiliSieverts: Hemorragias;
800 MiliSieverts: Provoca vómitos, diarreia e náuseas;
750 MiliSieverts: A queda de cabelos irá manifestar-se entre duas a três semanas.
100 MiliSieverts: Limite de radiação recomendado a cada cinco anos para os operários.
Dez MiliSieverts: TAC de corpo inteiro;
Dois MiliSieverts: É o nível de radiação que recebemos anualmente de forma natural.
Uma exposição entre 50 e 100 milisieverts já provoca mudanças na composição do sangue.

 

 

 Adaptado de: Ciência Hoje

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