Eficácia dos químicos usados no combate a incêndios

28-03-2011 12:03

 

A propósito dos cortes orçamentais previstos para as acções de combate a incêndios no ano de 2011, seria bom os responsáveis pelo sector atentarem neste artigo.

Em Portugal não há sistema que avalie as descargas aéreas.

O catedrático Domingos Xavier Viegas destacou a importância de uma metodologia pioneira de avaliação da eficácia dos produtos químicos na extinção dos incêndios florestais. A investigação foi apresentada hoje em Coimbra por Eulália Planas, investigadora do Centro de Estudos do Risco da Universidade Politécnica da Catalunha (UPC).

"Cada descarga aérea pode custar dezenas de milhares de euros", disse o especialista em incêndios florestais da Universidade de Coimbra, ao sublinhar a importância de um sistema que permita avaliar, em termos objectivos, a eficácia do uso dos retardantes no combate ao fogo.

A metodologia foi testada com fogo controlado em parcelas do Parque Natural de Ngarkat, no Sul da Austrália.

Ainda em fase preliminar, a esta técnica permite "medir quantitativamente uma série de parâmetros, avaliando a eficácia do ataque aéreo no combate aos fogos", disse Eulália Planas à Lusa no final da conferência que proferiu hoje no Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

"Gasta-se tanto dinheiro com meios aéreos, é bom saber até que ponto é bem gasto. Em Portugal não há nenhum sistema que permita avaliar a eficácia destas descargas em termos objectivos", salientou Xavier Viegas, presidente da Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial.

De acordo com o professor catedrático da FCTUC, "poderá haver situações em que a eficácia não seja a desejada, ou porque não se está a usar os produtos adequados ou porque o lançamento não ocorre nos locais apropriados".

Investimento melhorado

"Como envolve milhões e milhões de euros, é de toda a importância haver uma avaliação envolvida", defendeu Domingos Xavier Viegas.

 

Na perspectiva do investigador, "em Portugal, há um bom uso dos produtos, mas a avaliação é subjectiva", pelo que "um estudo deste tipo, feito por amostragem, talvez permitisse chegar a resultados mais objectivos e dar recomendações".

"É muito importante para os bombeiros e pilotos que fazem o ataque poderem quantificar o seu trabalho ou ver como podem melhorar", frisou, por seu turno, Eulália Planas.

Segundo a docente do Departamento de Engenharia Química da UPC, antes da criação deste modelo pioneiro de avaliação da eficácia dos retardantes no combate às chamas havia já alguns estudos experimentais, debruçando-se sobre factores como a dimensão das descargas ou a distribuição da concentração, mas não uma avaliação "no ataque directo, medindo todos os parâmetros".

Sobre a avaliação da eficácia dos diferentes produtos químicos usados nas descargas aéreas, a cientista disse que, em termos quantitativos, ainda não foi possível chegar a conclusões.

 

Adaptado de Ciência Hoje

 

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