Eu tive um sonho...

18-11-2012 22:30

Um dia sonhei que acordei. E, ao acordar, verifiquei que, estranhamente, não havia qualquer barulho lá fora. Mesmo os carros que passam, frequentemente, na estrada, ao longe, eram inaudíveis. Estranhei, mas continuei deitado. A atenção fora no entanto desperta por esse inaudito silêncio. Decidi então levantar-me e deixar a preguiça para mais tarde...
 

 

Lavei a cara. Com água fria, pois este dia começava de forma estranha e invulgar e queria garantir que estava bem acordado...

 

Fui para a cozinha, liguei a TV e, enquanto preparava a refeição da manhã, fui ouvindo as notícias do primeiro telejornal do d

 

ia. Algo não estava bem. Ou melhor, algo estava bem demais. Não havia notícias dos "... mercados nervosos...", da desvalorização do €uro e subida do dólar ou da subida do petróleo. Tudo se resumia a notícias sobre pessoas que viviam felizes em cidades limpas e campos cultivados e floridos. A fome, diziam, tinha acabado e as crianças, e adultos, sorriam. Mas que se passa, está tudo maluco?!?!, pensei. Mas o jornalista teimava em dar BOAS notícias. Engoli um pouco de leite e quase me engasgava ao tentar deglutir um pedaço de pão. Estava definitivamente nervoso e até assustado...

 


Corri para a rua. As pessoas sorriam e cumprimentavam-se educada e deliciosamente. Assustado, ainda, mas com uma sensação de felicidade que começava a invadir-me continuei a percorrer as ruas. Os supermercados não tinham caixas, as pessoas pagavam com um cartão de crédito de amabilidade, cujo valor originava na troca de amor, competências e saberes. "Eu ajudo-te a ti e tu ajudas-me a mim, tão simples como isso", dizia-me uma senhora simpática.

 

 

Uma utopia feita realidade?

Acordei. Afinal estava ainda a preguiçar na cama e tudo não passara de um sonho. Uma irrealidade, portanto...

Ao longe não se ouviam os carros. Estaria ainda a sonhar, um sonho dentro de outro sonho? Ou era esta a realidade e o mundo tinha finalmente aceite a obrigação da mudança? Vou-me levantar, vou acordar e ver o que se passa à minha volta. Pode ser que ainda vá a tempo de mudar alguma coisa... 

 

Publicado originalmente, por mim, no Blog Velho Luandense

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