Magma denso impede que Lua tenha vulcões activos

21-02-2012 09:02
Interior do manto lunar é rico em titânio

Ao contrário da Terra, a Lua não tem vulcões activos. Os traços do passado vulcâncio deste satélite natural datam de há mil milhões de anos. Os cientistas consideram Isto surpreendente porque dados recentes de sismos lunares sugerem que existe muito magma líquido no interior da Lua. A equipa dirigida por Mirjam van Kan Parker e Wim van Westrenen, da Universidade de Amesterdão, conseguiu perceber porque não há actividade sísmica na superfície: as rochas derretidas no interior da Lua podem ser tão densas que se tornam muito pesadas para virem à superfície. Para chegarem a esta conclusão, os cientistas produziram cópias das rochas da lua trazidas pelas missões Apolo. Depois, derreteram-nas sob as temperaturas e pressões extremamente altas que se encontram no interior da Lua e mediram as suas densidades com raios-X. Os resultados estão publicados na «Nature Geoscience».

 

O ano passado, cientistas da NASA publicaram um novo modelo do interior da Lua, utilizando dados dos sismógrafos das missões Apollo, que percorreram a Lua há cinco décadas.

Renee Weber afirma que as partes mais profundas do manto lunar, já na fronteira com o pequeno núcleo metálico, estão parcialmente derretidas em 30 por cento. Na Terra, esses corpos de magma tendem a mover-se para a superfície levando a erupções vulcânicas.

Na Lua isso não acontece. A força motriz para o movimento vertical do magma é a diferença de densidade entre o magma e o material sólido circundante. Essa diferença faz com que o magma líquido se mova lentamente para cima, como uma bolha. Quanto mais leve este é, mas violento é o movimento.

Para determinar a densidade do magma lunar, os cientistas sintetizaram uma pedra lunar em laboratório. Submeteram-nas a uma temperatura de 1500 graus e uma pressão de 45 mil bar.

É possível gerar estas condições extremas com pequenas amostras, aquecendo-os com uma corrente eléctrica elevada e esmagando-as com uma prensa. Através da utilização de um feixe de raio-X tornou-se possível a medição.

“Tivemos de usar o mais brilhante feixe de raios-X do mundo para essa experiência porque a amostra magma era muito pequena e estava confinada a um recipiente maciço e altamente absorvente”, explicam os investigadores.

Concluiu-se que quase todos os magmas lunares tinham uma densidade mais pequena do que os sólidos que os rodeiam, tal como na Terra. Mas há uma importante excepção que determina a diferença entre os dois corpos. Pequenas gotículas de vidro rico em titânio encontradas pela missão Apollo 14 produzem magma tão denso como as rochas encontradas nas partes mais profundas do manto. Este magma não se consegue mover até à superfície.

Artigo: Neutral buoyancy of titanium-rich melts in the deep lunar interior

 

Fonte: Ciência Hoje

 

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