Obtida imagem do exoplaneta mais leve encontrado até à data

07-06-2013 16:12

Observatório Europeu do Sul (ESO) descobre planeta a orbitar a jovem estrela HD 95086

Uma equipa de astrónomos utilizou o Very Large Telescope, do Observatório Europeu do Sul (ESO), para obter a imagem de um objecto ténue que se desloca próximo de uma estrela brilhante. Os astrónomos estimam que o objecto tenha entre quatro a cinco vezes a massa de Júpiter, o que faz com que possa ser o planeta com menos massa a ser observado fora do Sistema Solar de forma directa. A descoberta é uma contribuição importante ao estudo da formação e evolução de sistemas planetários.

 

 

Embora quase um milhar de exoplanetas tenham sido até agora detectados indirectamente e muitos mais candidatos aguardem confirmação, apenas para uma dúzia deles foi possível obter imagens directamente. Este parece ser o mais leve destes objectos observado até agora.

Obter imagens de planetas de forma directa requer técnicas extremamente complexas, utilizando os instrumentos mais avançados, estejam eles no solo ou no espaço”, diz Julien Rameau (Institut de Planetologie et d'Astrophysique de Grenoble, França), autor principal do artigo científico que descreve a descoberta. “Apenas alguns planetas foram até agora observados directamente, o que faz de cada descoberta destas um importante marco no caminho da compreensão dos planetas gigantes e da sua formação”.

Nas novas observações, o provável planeta aparece como um ponto ténue mas bem definido próximo da estrela HD 95086. Uma observação posterior mostrou também que o objecto se desloca lentamente com a estrela ao longo do céu, o que sugere que este corpo, designado por HD 95086 b, está em órbita em torno da estrela. O seu brilho indica igualmente que terá um massa de apenas quatro a cinco vezes a massa de Júpiter.

A equipa usou o NACO, o instrumento de óptica adaptativa montado num dos telescópios principais do Very Large Telescope do ESO (VLT). Este instrumento permite obter imagens muito nítidas ao corrigir os efeitos de distorção na imagem devido à turbulência atmosférica. As observações foram feitas no infravermelho com uma técnica chamada imagem diferencial, que faz aumentar o contraste entre o planeta e a ofuscante estrela hospedeira.

O planeta orbita a jovem estrela HD 95086 a uma distância de cerca de 56 vezes a distância entre a Terra e o Sol, o que corresponde a duas vezes a distância entre o Sol e Neptuno. A estrela tem um pouco mais massa do que o Sol e encontra-se rodeada por um disco de detritos. Estas propriedades permitiram aos astrónomos identificá-la como um candidato ideal a possuir planetas jovens de grande massa em sua órbita. O sistema situa-se a cerca de 300 anos-luz de distância da Terra.

A juventude da estrela (10 a 17 milhões de anos) levou os astrónomos a pensar que este planeta se formou, muito provavelmente, no interior do disco gasoso e poeirento que a circunda. “O planeta pode ter crescido ao assimilar rochas que formaram o núcleo sólido e depois acumulando lentamente gás do meio circundante de modo a formar a atmosfera densa ou então, começou a formar-se a partir de uma acumulação de matéria gasosa com origem em instabilidades gravitacionais no disco”, explica Anna-Marie Lagrange, outro membro da equipa.

Interacções entre o planeta e o disco propriamente dito, ou até outros planetas, podem ter feito deslocar o planeta do local onde nasceu”. Outro membro da equipa, Gaël Chauvin, conclui que “o brilho das estrelas dá a HD 95086 b uma temperatura à superfície estimada em 700 graus Celsius. Este será um belo objecto para estudar com o futuro instrumento SPHERE, a ser montado no VLT. Talvez possamos até revelar planetas interiores no sistema – se eles existirem”.

Artigo: Discovery of a probable 4  5 Jupiter-mass exoplanet to HD 95086 by direct-imaging

 

Fonte/Adaptado de: Ciência Hoje

 

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