Quanto ‘melhor’ for a borga pior é o esperma

03-05-2012 23:54
Estudo sugere que a qualidade do sémen diminui durante as semanas académicas

 

Margarida Fardilha, investigadora do Centro de Biologia Celular da Universidade de Aveiro, acaba de concluir, num estudo pioneiro, que os excessos próprios de uma semana académica diminuem em mais de 20 por cento a concentração dos espermatozoides e alteram em 15 por cento a morfologia destas células reprodutoras masculinas. A investigadora da Universidade de Aveiro (UA) liga a influência dos abusos estudantis, como o aumento do consumo de álcool, tabaco, drogas e mudanças na alimentação e nos ciclos de sono, durante as semanas académicas de Aveiro e Coimbra ao decréscimo da qualidade do esperma.

 

Ao Ciência Hoje, a bióloga explica que existem várias publicações que indicam que a qualidade do sémen está a diminuir na população por várias razões, sendo uma delas o estilo de vida. Mas nunca antes se havia estudado a influência do consumo prolongado de álcool e drogas num período de ingestão agudo e curto na qualidade do sémen. Por isso, neste estudo a equipa da UA procurou “avaliar como é que alterações dramáticas têm influência na qualidade dos espermatozoides” com o intuito de “alertar as camadas jovens que se isso for repetido ao longo de vários anos ou semanas poderá ser uma influência negativa na qualidade final e daí advirem problemas futuros quando quiserem utilizar espermatozoides para engravidar”, explica Margarida Fardilha.

Os resultados reportam a uma investigação que teve início em 2010 e que recolheu amostras de sémen de 55 alunos voluntários das Universidades de Aveiro e Coimbra para avaliar a qualidade do sémen depois de uma semana de excessos.

As recolhas ocorreram dias antes do início do Enterro do ano, no caso dos de Aveiro, e da Queima das Fitas, no caso dos de Coimbra, dias depois do final dos festejos académicos e três meses depois da segunda recolha. Para além da entrega das amostras os voluntários preencheram, nos três momentos, um questionário de controlo sobre o consumo de álcool, de drogas, de tabaco e de outros hábitos.

Em termos de conclusões, a investigadora destaca que “uma semana de alterações drásticas no estilo de vida tem influências negativas na concentração da amostra de sémen”. Para além disso, “há uma alteração negativa na morfologia dos espermatozoides” e “a mobilidade dos espermatozoides também é reduzida”.

Neste momento, os investigadores estão “a tentar aumentar o número de amostras” e estão a fazer “uma análise mais a nível de energia molecular para ver se as moléculas também estão alteradas a nível de sinalização celular nestas amostras”, avança Margarida Fardilha.

 

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