Recarregar o portátil ou telemóvel com Coca Cola ou com um pouco de óleo vegetal

27-08-2010 16:36

 Os cientistas estão a desenvolver novas células de biocombustíveis que, admitem, poderão substituir as baterias actualmente usadas em milhões de aparelhos eléctricos alimentados por uma bateria que necessita de ser recarregada ligada a uma rede eléctrica. Esta novas células são alimentadas por biocombustíveis como açúcares ou gorduras.

Os investigadores descreveram o dispositivo como sendo a primeira célula de combustível que produz electricidade utilizando tecnologia retirada das centrais energéticas que se encontram na natureza e que alimentam todos os seres vivos à face do planeta Terra. "Esta é a primeira demonstração de um novo tipo de células de biocombustível", afirmou Shelley Minteer que apresentou o relatório da pesquisa no 240º Encontro da Sociedade Americana de Química (ACS, na sigla em inglês). "Quando devidamente desenvolvidos, estes dispositivos terão o potencial para substituir as baterias recarregáveis e descartáveis utilizadas numa enorme variedade de bens de consumo electrónicos e outros produtos. É o primeiro dispositivo do género concebido com base num dos componentes microscópicos presentes nos biliões e biliões de células que constituem os organismos vivos".

Da mesma forma que o corpo possui órgãos como o fígado e o coração, as células que constituem o corpo possuem estruturas internas denominadas organelos ("pequenos órgãos"). Para a nova célula de biocombustível Minteer e os seus colegas escolheram um dos organelos mais espantosos, a mitocôndria.

 

 

Frequentemente denominada a central energética da célula, a mitocôndria transforma as calorias contidas nos alimentos em energia química de que o corpo necessita para manter o seu funcionamento. Para isso a mitocôndria utiliza um composto químico produzido na digestão de açúcares e gorduras, o piruvato (ver o Ciclo de Krebs), para produzir uma substância denominada ATP (Trifosfato de Adenosina) que armazena a energia até que esta seja necessária. Em cada dia, uma mitocôndria de uma pessoa vulgar produz e recicla uma quantidade de ATP equivalente ao peso corporal do indivíduo. Este sistema de produção de energia alimentado por açúcares e gorduras sugere a possibilidade de reabastecer um computador portátil ou um telemóvel com óleos vegetais comuns, afirmou Minteer que é investigadora na Universidade de Saint Louis, Missouri, EUA.

Minteer Salientou que as células de biocombustível não são algo novo. Os cientistas têm frequentemente ido buscar conceitos e ideias à Mãe Natureza para produzir uma série de outras células de biocombustível que utilizam, por exemplo, enzimas e/ou bactérias para a produção de energia eléctrica. As células de combustível produzem electricidade a partir da energia química contida no combustível e do oxigénio (do ar ou líquido). Estas células de combustível funcionam de forma muito semelhante a baterias. Ao contrário das baterias não é necessária uma recarga, as células de combustível continuam a produzir energia enquanto o fornecimento de combustível e de oxigénio se mantiverem. O combustível pode ser hidrogénio, gás natural, etanol ou outro material.

Minteer e os colegas descreveram o desenvolvimento com sucesso da primeira célula de combustível mitocondrial. O dispositivo consiste numa fina camada de mitocôndrias ensanduichadas entre dois eléctrodos, um deles permeável a gases. Os testes mostraram que a célula foi capaz de produzir electricidade utilizando como combustível açúcar ou sub-produtos de óleos de cozinha.

Outras possíveis aplicações das células de combustível mitocondriais incluem o seu uso como fontes de energia em sensores wireless para o controlo de temperatura, em detectores de movimento ou na localização remota de veículos de uma frota. Uma outra possível utilização destas células seria como fonte de alimentação de sensores do tamanho de selos para a detecção de explosivos, conforme afirmaram os investigadores envolvidos no projecto.


 

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