Região de formação estelar anárquica

06-05-2013 11:55

Uma imagem da NGC 6559 demonstra bem a anarquia que reina quando estrelas se formam no seio de uma nuvem interestelar. O momento foi registado pelo telescópio dinamarquês de 1,54 metros, situado no Observatório de La Silla do Observatório Europeu do Sul (ESO), no Chile.
A NGC 6559 é uma nuvem de gás e poeira situada a uma distância de cerca de cinco mil anos-luz da Terra, na constelação do Sagitário. Esta região brilhante é relativamente pequena, apenas com alguns anos-luz de dimensão, contrastando com os mais de cem anos-luz que é o tamanho da sua vizinha mais famosa, a Nebulosa da Lagoa (Messier 8, eso0936).

 

O gás presente nas nuvens da estrela, principalmente hidrogénio, é a matéria-prima da formação estelar. Quando a região no interior da nebulosa acumula matéria suficiente, dá-se o colapso sob o efeito da sua própria gravidade. O centro da nuvem torna-se cada vez mais denso e quente, até que se inicia a fusão termonuclear e a estrela nasce. Os átomos de hidrogénio combinam-se para formar átomos de hélio, libertando energia neste processo e fazendo assim com que a estrela brilhe.
Estas estrelas brilhantes, jovens e quentes, que nascem a partir da nuvem, emitem radiação que é absorvida e reemitida pelo hidrogénio gasoso que ainda se encontra presente na nebulosa circundando as estrelas recém-nascidas, e originando assim a região vermelha brilhante que podemos observar no centro da imagem. Este objecto é conhecido como uma nebulosa de emissão.

 

Uma nebulosa de reflexão


No entanto, a NGC 6559 não é apenas constituída por hidrogénio gasoso. Contém também partículas sólidas de poeira compostas por elementos pesados, tais como carbono, ferro ou silício. A mancha azulada próximo da nebulosa de emissão vermelha, mostra-nos a radiação emitida pelas estrelas recém-formadas a ser dispersada - reflectida em muitas direcções diferentes – pelas partículas microscópicas presentes na nebulosa. Conhecida pelos astrónomos como uma nebulosa de reflexão, este tipo de objecto é muitas vezes azul, porque a dispersão é mais eficaz para os menores comprimentos de onda.
Em regiões muito densas, a poeira obscurece completamente a luz que está por trás, como é o caso das manchas e bandas sinuosas escuras e isoladas que se vêem na imagem em baixo, à esquerda e à direita. Para podermos ver o que se encontra por trás destas nuvens, é necessário observar a nebulosa a comprimentos de onda maiores, os quais não são absorvidos pela poeira.

 

Mais informação: ESO

 

Fonte/Adaptado de: Ciência Hoje

—————

Voltar