Selecção embrionária evita gene do cancro

18-03-2011 13:37

 

Mais um caso de sucesso de um processo complicado mas com bons resultados em mais países

O longo historial de cancro na família levou uma cidadã espanhola a recorrer a uma selecção genética de embriões para tentar que o seu bebé nascesse sem um gene da doença. O resultado foi um menino, o primeiro em Espanha, a nascer sem o gene BRCA1 (do qual a mãe era portadora), responsável pelo cancro da mama, mas também dos ovários e pâncreas. Caso de sucesso idêntico ao que aconteceu há dois anos no Reino Unido, quando nasceu uma menina também livre do mesmo gene.

O bebé nasceu em finais de 2010, mas só agora foi tornada pública a sua particularidade. Apesar de não ter o gene BRCA1 não significa que esteja livre de ter cancro. Porém, as perspectivas serão bem mais animadoras, pois um portador deste gene, um dos mais agressivos, vive com 80% de probabilidade de vir a sofrer da doença. É mais um caso que alimenta a esperança de muitos pais. Porém, o processo não é fácil, nem acessível a todos, pois os pedidos são analisados um a um e nem todos são aceites. No caso específico do cancro, a lei espanhola prevê que tenha de se ter em conta a gravidade da patologia, a aparição precoce e a ausência de tratamento. “ Há que analisar historial por historial”, salientou Núria Terribas, directora do Instituto Borja de Bioética, citada pelo El Mundo. A médica acrescentou ainda: “ Não somos capazes de curar tudo, temos de colocar certos limites.” Falou ainda da possibilidade de surgirem conflitos éticos. “ Se calhar para muitas pessoas o fim não justifica os meios, mas temos de nos pôr no lugar desta família para entender que pode justificar”, realçou.

No caso desta mãe espanhola, começou por se dirigir ao Programa de Reprodução Assistida Puigvert-Sant Pau, em Barcelona, de onde partiu o pedido para a Comissão Nacional de Reprodução Assistida. Aqui foi dada a autorização para que, pela primeira vez naquele país, fossem utilizadas técnicas de diagnóstico genético pré-implantacional para evitar tumores.

Superada a burocracia iniciou-se o procedimento sensível. São fecundados vários óvulos para se obter vários embriões. Depois são escolhidos os que não têm a mutação do gene BRCA1, que são implantados na mulher. Apenas sobreviveu um, mas foi o suficiente para que todo o processo, realizado no Hospital Sant Pau de Barcelona e pago na totalidade pela segurança social espanhola, tivesse um final feliz.

Em breve, poderá haver mais uma criança nesta situação em Espanha, pois no mesmo hospital em que se registou o primeiro nascimento de um bebé livre de um gene do cancro, aguarda-se a aprovação para se avançar com diagnóstico genético pré-implantacional, pedido feito por uma família com antecedentes de cancro no cólon.

 

Adaptado de Diário de Notícias, Ciência

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