Astrónomos descobrem a estrela mais rápida que se conhece

08-12-2011 14:13

Poderá ser fugitiva, ejectada de um sistema de estrelas duplas

 

Uma equipa internacional de astrónomos descobriu, na galáxia mais próxima do sistema solar, uma nova estrela que, apesar de ter 25 vezes a massa do Sol e ser cem mil vezes mais brilhante, é a mais rápida que se conhece. A estrela, a que chamaram VFTS 102, intrigou os cientistas pela velocidade a que se deslocava - dois milhões de quilómetros por hora, ou seja, 300 vezes mais depressa do que o Sol. A esta velocidade, uma nave conseguiria percorrer o círculo da Terra em um minuto.

 

“A extraordinária velocidade de rotação aliada ao movimento invulgar relativamente às estrelas situadas na sua vizinhança, levou-nos a perguntar se esta estrela não teria tido um começo de vida invulgar. Ficámos desconfiados”, contou Philip Dufton, da universidade de Queens em Belfast que coordenou o estudo apresentado no «Astrophysical Journal Letters».

Embora os astrónomos já tivessem visto pulsares (estrelas que colapsam e ficam muito pequenas girando muito rapidamente e emitindo poderosos jactos de radiação), não conheciam ainda nenhuma estrela que, com esta densidade e brilho, ganhasse tamanha velocidade.

Os astrónomos pensam que esta estrela poderá ser fugitiva, o que significa ter sido ejectada de um sistema de estrelas duplas pela sua companheira em fase de explosão. As estrelas fugitivas resultam de uma espécie de “triângulo amoroso espacial”, em que, após um encontro, duas delas tornam-se um “casal” e a terceira é expulsa.

Esta teoria, adianta a equipa no estudo, é corroborada por mais duas pistas adicionais: um pulsar e um resto de supernova a ele associado, encontrados na vizinhança da estrela. “Esta é uma hipótese com muito mérito, uma vez que explica todas as características invulgares que observámos. Esta estrela mostra-nos claramente lados inesperados das vidas curtas mas dramáticas das estrelas mais pesadas”, afirmou Philip Dufton.

A velocidade a que a VFTS 102 está a viajar está muito próxima do ponto em que será desfeita em pedaços devido às forças centrífugas, mas para já trata-se da mais veloz jamais observada. A observação desta estrela foi feita através do Very Large Telescope do Observatório Europeu do Sul, instalado no Chile.

A equipa de astrónomos tem utilizado este telescópio para fazer um rastreio das estrelas mais pesadas e brilhantes da Nebulosa da Tarântula, situada na galáxia Grande Nuvem de Magalhães, que orbita em torno da Via Láctea.
 
Fonte/adaptado: Ciência Hoje

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