Cientistas da UC querem criar ‘microondas’ do frio

06-12-2011 11:49

Tecnologia inovadora arrefece bebidas e alimentos em minutos

À esquerda, Protótipo do «SuperCooling»

Uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), em colaboração com a empresa Redutor, desenvolveu uma tecnologia que consegue arrefecer alimentos e bebidas 10 vezes mais rapidamente do que os equipamentos tradicionais, sem interferir na qualidade do produto. Chama-se «SuperCooling» e os primeiros resultados demonstraram, por exemplo, que é capaz de arrefecer uma garrafa de água de 33cl em 3 minutos. 

Cátia Augusto explica ao Ciência Hoje que a tecnologia baseia-se na “refrigeração por vácuo”. A investigadora do Departamento de Engenharia Mecânica (DEM) da UC não pode avançar mais pormenores uma vez que a tecnologia "ainda está em fase de patenteamento". Trata-se da primeira vez que a tecnologia é explorada em Portugal, mas acredita-se que terá um forte impacto no sector doméstico e em vários sectores de mercado.

“Na questão doméstica, uma vez que apenas conhecemos o microondas em termos de aquecimento rápido, será um produto onde podemos refrigerar rapidamente a nossa bebida”, exemplifica Cátia Augusto.

Mas os verdadeiros sectores “promissores” serão o da restauração e hotelaria. “Os bares, hotéis, cafés e discotecas precisam de satisfazer o consumo na hora e poderão fazê-lo rapidamente quando o cliente chega e pede uma bebida”, refere a investigadora. Por outro lado, a nova tecnologia também “permitirá que os estabelecimentos não tenham grandes equipamentos sempre a consumir energia”, sublinha.

Segundo Cátia Augusto, o equipamento “não terá os tradicionais refrigerantes” pelo que será “limpo” em termos ambientais. No entanto, “a principal mais-valia” que assinala “é mesmo termos um arrefecimento rápido que, hoje em dia, enquanto equipamento não existe”.

“Sabemos que existem os baldes de gelo eléctricos cujo objectivo é o arrefecimento rápido, mas nós queremos chegar a níveis significativamente maiores de arrefecimento”, afirma.

Para os investigadores da UC, outra vantagem mais relacionada com a base tecnológica do equipamento é que esta “poderá ser aplicada a outros produtos”. E é neste sentido que a investigação irá continuar: “Tentar aplicar essa tecnologia no desenvolvimento de novos produtos” como, por exemplo, “na secagem da roupa”, refere Cátia Augusto.

A investigação «SuperCooling» teve início há dois anos e está a ser orientada pelos docentes Adélio Gaspar, José Joaquim Costa e José Baranda Ribeiro. Apesar de ainda se encontrar na fase de protótipo à escala laboratorial poderá, num futuro próximo, vir a fazer parte do nosso dia-a-dia. “Dependendo da equipa que possamos reunir para posterior trabalho, pensamos que possa demorar três anos até que tenhamos um produto”, esclarece Cátia Augusto.

 

Fonte: Ciência Hoje

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