Encontradas pérolas em ostras do Algarve

05-01-2012 09:36
Fenómeno raro e sem valor comercial mas com muito “interesse científico”

 

 

Pela primeira vez em dez anos de trabalho foram encontradas pérolas em ostras do género Crassostrea. O investigador Frederico Batista, da Estação Experimental de Moluscicultura de Tavira do Instituto de Investigação das Pescas e do Mar (IPIMAR), trabalha há uma década num projecto de conservação da ostra portuguesa e nunca tinha observado este fenómeno. Em esclarecimentos ao «Ciência Hoje», o investigador, que trabalha com Ana Grade, da mesma instituição, e Deborah Power, do Centro de Ciências do Mar (CCMAR), explicou que, não tendo valor comercial, as pérolas encontradas têm “interesse científico”.

Em 756 ostras apanhadas em diferentes locais do Algarve (Ria de Alvor, Ria Formosa e Rio Guadiana) e que constituem a amostra deste estudo, foram encontradas pérolas em dois exemplares.

Pode não parecer muito, mas o fenómeno é tão raro que os investigadores ainda não têm respostas. “Não sabemos muito bem como é que aconteceu, mas acreditamos que não tem nada de mal e que se deve às características do meio”, diz Frederico Batista.


Pérolas

O aparecimento de pérolas é frequente em ostras perlíferas (família Pteriidae). Estas podem atingir elevado valor comercial. Nos últimos dez anos, o fenómeno não tinha sido observado nas ostras do género Crassostrea que existem em Portugal. A formação de pérolas deve-se a uma reacção defensiva da ostra a corpos estranhos, tais como parasitas ou partículas. O corpo estranho é coberto por camadas, sendo estas essencialmente de carbonato de cálcio sob a forma de cristais de aragonite.

Nas ostras, cuja espécie está também ainda por definir, foram encontradas cinco pérolas. Numa foi observada uma pérola com dimensão de cinco milímetros de diâmetro e 190 miligramas de peso, e, na outra, quatro pérolas com apenas dois milímetros de diâmetro.

“As ostras podem ser das espécies Crassostrea angulata (nome científico da ‘ostra Portuguesa’), Crassostrea gigas (‘ostra do Pacífico’) ou então híbridas”, explica o investigador. As duas espécies são muito parecidas entre si e nos sítios onde foram recolhidas acontece com frequência a hibridação.

“O que tem de valor é a raridade. Quanto o material que compõe das pérolas, tanto o brilho como a cor não parece ser especial”, diz o cientista. As pérolas já seguiram para um laboratório em Cambridge para serem analisadas.

 

Fonte/Adaptado de: Ciência Hoje

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