Planeta Vénus possui camada de ozono

10-10-2011 10:15

A Venus Express, nave da Agência Espacial Europeia (ESA), descobriu uma camada de ozono na alta atmosfera de Vénus. A comparação das suas propriedades com as das camadas equivalentes na Terra e em Marte irá ajudar os astrónomos a refinar a sua procura por vida noutros planetas.
A descoberta ocorreu durante uma observação às estrelas, na extremidade do planeta. O seu instrumento SPICAV analisou a luz das estrelas, à procura das marcas características dos gases na atmosfera enquanto estes absorvem luz, em comprimentos de onda específicos. A camada de gás foi detectável porque absorveu parte da luz ultravioleta.

 

 
O ozono é uma molécula que contém três átomos de oxigénio. De acordo com modelos computacionais, em Vénus, este forma-se quando a luz do sol quebra as moléculas de dióxido de carbono, libertando os átomos de oxigénio, que são depois empurrados para o lado nocturno do planeta por ventos na atmosfera: podem então combinar-se, formando moléculas de oxigénio, com dois átomos, ou então de ozono, com três átomos.

"Esta detecção fornece-nos uma baliza importante para a compreensão da química da atmosfera de Vénus", referiu Franck Montmessin, que conduziu a investigação. Também pode ser uma boa comparação para a estudar vida noutros mundos.

O ozono já tinha sido detectado nas atmosferas da Terra e de Marte. Na Terra, é fundamental à vida porque absorve parte da perigosa radiação ultravioleta. A formação de oxigénio, e consequentemente de ozono, começou há 2,4 mil milhões de anos no nosso planeta. Apesar de ainda não se compreender bem o processo, os micróbios que excretam oxigénio desempenharam um papel importante.

Como consequência, alguns astrobiólogos sugeriram que a presença em simultâneo de dióxido de carbono, oxigénio e ozono na atmosfera pode ser um indicador da existência de vida. Isto permitirá que os telescópios no futuro apontem o alvo a outras estrelas para avaliar as suas condições de habitabilidade. No entanto, como realçam estes novos resultados, a quantidade de ozono é crucial.
 

Não há vida em Vénus

A pequena quantidade existente na atmosfera de Marte não foi gerada pela vida. Aí é o resultado da quebra do dióxido de carbono pela luz do sol. Em Vénus também. Esta descoberta confirma a visão da modesta camada de ozono, construída por meios não biológicos. A de Vénus está a uma altitude de cem quilómetros, quarto vezes mais alta do que acontece na Terra, e é cem a mil vezes menos densa.

Hipóteses teóricas elaboradas por astrobiólogos sugerem que a concentração de ozono de um planeta deve ser 20 por cento do valor da verificada na Terra para que se possa considerar que a origem deste gás está relacionada com a vida.

Os novos resultados suportam esta conclusão já que Vénus está claramente abaixo deste valor. "Podemos usar estas novas observações para testar e refinar os cenários para a detecção de vida noutros mundos," disse ainda Montmessin. Apesar de não haver vida em Vénus, a detecção de ozono aproxima o planeta da Terra e de Marte.

 

Fonte: Ciência Hoje

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